ESTRIAS: O QUE A ESTÉTICA AVANÇADA PODE FAZER - Dra. Gisele Salgado - Estética

ESTRIAS: O QUE A ESTÉTICA AVANÇADA PODE FAZER

 

Entre tantos temas para escrever para a coluna do Conexões Femininas, resolvi falar sobre uma disfunção estética que preocupa homens e mulheres, de faixas etárias diversas, oriunda de motivos igualmente diversos, porém com grande impacto psicológico e emocional. Há aqueles que se sentem socialmente isolados, desenvolvem baixa autoestima e outros problemas ligados à imagem corporal por causa dessas marcas. Outros podem ficar particularmente vulneráveis em situações sociais, como na piscina, na praia ou no início de um relacionamento íntimo.

Estamos falando de Estrias. Sim, essas marcas indesejáveis impactam de diferentes maneiras na vida das pessoas que as possuem. Sua incidência é maior nas mulheres (90% delas possuem estrias) do que nos homens (15%). Geralmente, as estrias começam a aparecer na adolescência com o rápido crescimento e também são muito comuns durante a gravidez, fase em que a pele estica muito em um curto espaço de tempo e em que ocorre um rápido ganho de peso. Pessoas que malham e têm variação de peso constante estão igualmente entre o público onde as estrias mais aparecem, assim como quem coloca prótese de silicone (eu me incluo nessa categoria!!). Outros casos em que elas são comuns: quem utiliza anabolizantes e ingere hormônio corticoides, quem tem deficiência nutricional e carência de vitaminas, colágeno e fibras, aumento da produção de estrogênio, predisposição hereditária, quem sofre de efeito sanfona e pessoas com peles muito ressecadas, pois com a pele hidratada é possível que as fibras tenham mais elasticidade e não se rompam. Geralmente aparecem nas coxas, nádegas, costas, braços e abdômen, mas podem surgir em qualquer lugar.

As estrias são caracterizadas como lesões no tecido dérmico que ocorrem quando a pele não possui elasticidade suficiente para acompanhar as mudanças descritas acima. Assim, elas são caracterizadas pela quebra das fibras de elastina e colágeno, onde estas estrias se apresentam de forma linear e variam de cor de acordo com a sua fase evolutiva, ou seja, inicialmente coloração rosada ou violácea (estria rubra) e com o transcorrer do tempo, torna-se branco-nacarada (estria alba), característica da ausência de circulação. Na fase inicial, é comum o relato de coceira local, possivelmente relacionado a uma inflamação dérmica.

Seu tratamento ainda é muito difícil, apesar de haver muitas modalidades utilizadas para melhorar as estrias. E é exatamente esse o tema da nossa coluna. Nem tudo está perdido, e com disciplina e acompanhamento do profissional adequado, podemos mudar essa estória. Então vamos lá:

  • Peelings Químicos - consiste na aplicação de um ou mais agentes diretamente na pele, produzindo uma destruição controlada da epiderme e derme posteriormente ocorrendo sua regeneração, propiciando melhor aparência da pele danificada pelas estrias. A aplicação dos peelings é um dos recursos mais utilizados no tratamento das estrias devido seu custo relativamente baixo e principalmente sua eficácia no efeito final, além de ser compatível com diversos tipos de pele. O profissional irá indicar o peeling mais adequado para você e para a fase da estria em questão.

 

  • Radiofrequência - A radiofrequência é uma tecnologia comprovadamente eficaz no estimulo do colágeno. É realizada com aparelho que gera calor que alcança tecidos mais profundos, gerando energia que é capaz de remodelar o colágeno e a elastina das estrias e ainda estimular a produção de novas fibras no tecido lesionado. Pode ser associada a outros tratamentos. Possui algumas contra indicações que serão avaliadas na consulta clínica.

 

  • Laser CO2 - Esse laser atua tendo como alvo principal a água, promovendo dano controlado através do calor e vaporização das células, levando ao estímulo do colágeno. Esse processo leva a um aumento da espessura da derme, remodelamento e novas fibras de colágeno e elastina no final do tratamento. Infelizmente tem alto custo, e são necessárias algumas sessões para obtenção de resultado, que será muito satisfatório.

 

  • Carboxiterapia – Nesta técnica o gás carbônico medicinal é injetado no tecido subcutâneo, atuando na melhora da circulação e oxigenação local. Para o tratamento nas estrias, o gás carbônico deve ser injetado com cuidado, localizando cada lesão e preenchendo-a com o CO2. A quantidade de volume injetado irá variar conforme o tamanho de cada estria. O volume de gás deve ser necessário para provocar a distensão em toda sua extensão. Os resultados são rápidos e após a quarta sessão já é percebida melhora no tecido tratado com duração de resultados de até seis meses. Em relação à segurança, a técnica se mostra segura por se tratar da aplicação de um metabólito que faz parte do organismo humano, não havendo na literatura relatos de efeitos adversos ou complicações, seja local ou sistêmicas. Pode acontecer uma sensação de deslocamento do gás subcutâneo acompanhado de dor ou queimação local que cessa após a retirada da agulha. Possui bom custo benefício. Pode não ser tolerado por aqueles com sensibilidade a dor.

 

  • Microagulhamento – O microagulhamento é realizado por meio de aparelho que pode ser um rolo ou sistema elétrico semelhante a uma caneta contendo microagulhas em sua extremidade. O objetivo do tratamento é causar um “trauma” que desencadeia uma inflamação controlada capaz de estimular a regeneração do tecido lesado através da produção de colágeno e elastina. Assim, é realizado nos locais onde estão localizadas as estrias, a fim de que essa pele se regenere e dê origem a um tecido novamente organizado e livre de estrias. É um procedimento minimamente invasivo que pode ser associado à entrega de outros componentes, conhecida como “drug delivery”, diretamente na derme graças ao “canais” abertos com as agulhas. Produtos como vitamina C, colágeno, ácido hialurônico podem ser utilizados. É utilizado anestésico tópico, o que gera menos desconforto. Custo benefício excelente, pode ser associado com outras terapias a todos os tipos de pele.

 

  • Intradermoterapia ou Mesoterapia - um dos melhores tratamentos para as estrias, a técnica consiste em injeções, com agulhas extremamente delicadas, diretamente em toda a extensão das estrias. São utilizadas substâncias antioxidantes, estimulantes da matriz dérmica, fatores de crescimentos específicos para estrias, por exemplo. Além disso, como no microagulhamento, o ato de perfurar a pele, por si só, já estimula as células no processo de reparação celular, o que promove a produção de colágeno. São necessárias algumas sessões para obter um resultado satisfatório.

 

Como se vê, são muitas as opções de tratamento dessa disfunção estética, e a associação de protocolos e tratamentos trazem melhores resultados em curto prazo. Vale lembrar que a hidratação da pele também se configura como fator primordial da saúde como um todo, bem como afastar fatores que levam a degradação do colágeno, produção de radicais livres, que degradam a matriz dérmica e prejudicam o funcionamento das células, como exposição excessiva ao sol, hábitos alimentares não saudáveis, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, fumo, etc.

E para finalizar, o importante mesmo é estar bem consigo mesma. Se essas marquinhas fazem você se sentir mal ou interferem na sua qualidade de vida e no relacionamento, vale a pena procura um profissional. Mas se você convive muito bem com elas, e ainda consegue achar beleza nas suas “marcas da vida”, também está tudo bem! O importante é estar feliz!

Um abraço,

Dra. Gisele Salgado

Especialista em Estética Avançada

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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OLIVEIRA, Francisco Marciano Américo de et al. MICROAGULHAMENTO NO TRATAMENTO DE ESTRIAS. Mostra Científica da Farmácia, [S.l.], v. 4, n. 2, aug. 2018. ISSN 2358-9124. Disponível em: <http://publicacoesacademicas.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/mostracientificafarmacia/article/view/2317>. Acesso em: 20 Jan. 2020.

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Kede MPV, Sabatovich O. Dermatologia Estética. São Paulo: Atheneu, 2003