ALIENAÇÃO PARENTAL COMO EXPRESSÃO DE VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR. - Priscila Gomes - Advogada

março 19, 2020

Alienar uma criança ou um adolescente significa manipular o seu psicológico a ponto de dificultar o contato ou o exercício de autoridade de um dos pais e até mesmo desqualificar aquela figura paterna ou materna, na mente do menor.

Esta conduta pode ser exercida por um dos genitores (pai/mãe), avós ou detentor de guarda da criança ou do adolescente.

Em razão de ser um tipo de influência no entendimento, o exercício da alienação parental ocorre muitas vezes de forma sutil, é um processo psíquico, quase que imperceptível. No entanto, é um engano pensar que esta prática ocorre somente com pessoas que estejam divorciadas.

A alienação pode sim ocorrer entre pessoas que ainda estejam casadas, e que, por alguma disfunção do seu relacionamento conjugal, passam então a depreciar a figura do seu cônjuge para a criança, e muitas vezes transmitem para ela, inclusive, a ideia da perda de autoridade.

Fica fácil de entender quando usamos exemplos práticos, como uma mãe que diminui a autoridade do pai em razão de seu salário, ou então um pai que denigre a imagem da mãe colocando para os filhos que a esposa não é capaz na tomada de decisões.

A alienação pode ser sutil, mas a sua prática configura abuso moral contra a criança, caracterizando, portanto, a existência de uma violência intrafamiliar.

A violência não se expressa somente quando há uma agressão física, muitos pais podem passar a vida sem levantar a mão ou a voz para seus filhos, e ainda assim colocá-los em situação de vítimas de uma agressão intrafamiliar por meio de palavras que afetem o seu psicológico, ainda mais quando estas palavras são uma ofensa dirigida à algum de seus genitores.

O cuidado no trato com os integrantes de uma família deve ser o ponto alto da relação, mas, ainda que o relacionamento conjugal ou familiar venha a adoecer, crianças e adolescentes precisam continuar sendo protegidas.

Busque ajuda se necessário, mas não permita que seus filhos passem a levar o peso de questões emocionalmente não resolvidas.

Priscila Gomes
Advogada e Palestrante
21 98278-5681
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