Violência Obstétrica: conhecer para transformar.

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O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, é um convite à reflexão sobre conquistas, direitos e, principalmente, sobre as lutas que ainda precisam ser enfrentadas. Entre esses desafios está a violência obstétrica, uma realidade que muitas mulheres ainda enfrentam durante a gestação, o parto ou o pós-parto, muitas vezes sem sequer saber que seus direitos foram violados.

A gestação deveria ser um momento de acolhimento, respeito e cuidado. No entanto, diversas mulheres relatam experiências marcadas por desrespeito, humilhação, negligência ou procedimentos realizados sem consentimento. A violência obstétrica pode ocorrer de várias formas: comentários ofensivos, negação de anestesia quando indicada, realização de procedimentos sem explicação ou autorização, impedir a presença de um acompanhante, ou até negligenciar a dor e as necessidades da gestante. Essas práticas não apenas ferem a dignidade da mulher, mas também podem causar impactos físicos e emocionais profundos.

É importante lembrar que a gestante possui direitos garantidos por lei. Entre eles está o direito à informação clara sobre seu estado de saúde e sobre todos os procedimentos que serão realizados. A mulher também tem o direito de participar das decisões relacionadas ao seu parto, respeitando sua autonomia e suas escolhas sempre que possível e seguro. Outro direito fundamental é o de ter um acompanhante de sua escolha durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, conforme estabelece a Lei do Acompanhante (Lei nº 11.108/2005).

Além disso, a gestante tem direito a um atendimento humanizado, respeitoso e livre de qualquer forma de discriminação. Isso significa que profissionais de saúde devem agir com empatia, explicar cada procedimento, ouvir a paciente e respeitar sua dignidade. O parto não é apenas um ato médico — é um momento profundamente humano, carregado de emoção, vulnerabilidade e significado na vida de uma mulher e de sua família.

Falar sobre violência obstétrica é, acima de tudo, falar sobre dignidade, informação e empoderamento feminino. Quanto mais as mulheres conhecem seus direitos, mais preparadas estão para exigir respeito e um atendimento adequado. E quanto mais a sociedade debate esse tema, maior é a chance de construirmos um sistema de saúde verdadeiramente humanizado.

Neste mês dedicado às mulheres, que possamos reforçar uma mensagem essencial: toda mulher merece ser ouvida, respeitada e acolhida em um dos momentos mais importantes de sua vida. O nascimento de uma criança deve ser lembrado com amor e cuidado, nunca com dor causada pelo desrespeito.

Valorizar os direitos das gestantes é também valorizar a vida, a maternidade e a força das mulheres. 💜

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Jéssica Mendonça Aleixo
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